FUMSSAR E UNIJUI ATENDEM POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA

Publicado em: 10/10/2017

Projeto visa à redução de danos e o acesso ao sistema de saúde para pessoas em estado de vulnerabilidade extrema

A Fundação Municipal de Saúde, através da Equipe de Saúde do Centro (UBS), juntamente com o curso de psicologia da UNIJUÍ, desde março deste ano firmaram uma parceria pondo em prática o Projeto Ressignificando a História da População em Situação de Rua junto à população em situação de rua junto e este público.

Conversamos com Cristiano Villani Melchior, acadêmico do 8º semestre de psicologia – UNIJUÍ, que trabalha diretamente no projeto para esclarecer seu funcionamento.

Como é realizado este trabalho?
O trabalho é realizado junto a essas pessoas no local onde vivem (bosques, praças), através do atendimento a populações vulneráveis. Como é um projeto inédito na cidade além de multidisciplinar ele também é multisetorial. Atualmente o trabalho é feito através da Equipe de Saúde do Centro, Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), Residência Multiprofissional UNIJUI/FUMSSAR e equipe da Casa de Passagem, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e o curso de psicologia do qual faço parte, visando à redução de danos e o acesso ao sistema de saúde para pessoas em estado de vulnerabilidade extrema.

Você pode dar mais detalhes sobre a forma de atuação de vocês no projeto?
A atuação é específica nos moradores que permanecem em um bosque no Centro de Santa Rosa. O trabalho da equipe inclui visitas semanais com objetivo de abordar questões relacionadas à constituição de vínculos terapêuticos, história de vida, resgate de vínculos familiares e cuidados de saúde. Também foram realizadas ações como a aquisição de documentação pessoal, agendamento e acompanhamento em atendimentos de saúde e atividades educativas referente às suas condições de vida e hábitos (incluindo hábitos de vida saudáveis), cuidados ambientais, higiene, álcool e outras drogas O trabalho avançou com a criação de prontuários de saúde para o registro e acompanhamento das atividades realizadas pela equipe

Ao longo dos meses observa-se avanços com boa adesão dos moradores às proposições da equipe com adesão aos atendimentos de saúde na unidade, grupos terapêuticos no CAPS AD e utilização dos serviços da Secretaria de Desenvolvimento Social com regularidade, recursos para que possam se estabelecer em uma casa e sair da rua.

Além do objetivo geral da redução de danos à saúde e as vulnerabilidades da vida para quem mora na rua, os profissionais possuem meta de trabalho: a formação de um grupo com os usuários, a fim de realizar uma escuta e o resgate da autonomia e cidadania, além da forma como essas pessoas se posicionam frente a sociedade: o que elas sentem, como se colocam frente a uma exclusão não só física, mas também psíquica de rejeição, preconceitos, etc.

Há uma visão generalizada, não só aqui como em qualquer lugar, que ao ver um morador de rua o sujeito ou o ignora totalmente (torcendo para que ele não o aborde) ou apenas replique aquele senso comum (talvez inconsciente, como mecanismo de defesa psíquica) de que “ele não trabalha, logo é vagabundo”, ou “só gosta de beber e não quer saber de mais nada”, e por aí vai. Mesmo sem nunca ter conversado ou escutado o que o sujeito tem a dizer.

O trabalho tem proporcionado espaços de fala aos usuários, relatando suas dores e angústias, muitas delas, inclusive diz sobre como ele chegou ao estado em que se encontra. E aqui entramos na história de cada um (ou aquilo que cada um conta sobre si), histórias trágicas de abuso infantil, abandono, maus tratos, etc.

Em uma oportunidade perguntei a um deles se ele conseguia dormir bem à noite, me respondendo que sim, mas por causa da cachaça, sem ela fica a noite toda se virando sem parar, ansioso, angustiado. Buscamos orientar e conversar sobre a situação de cada um, encaminhando para reabilitação quando possível, buscando contato novamente com familiares, tentando ressignificar sua vida mostrando outras possibilidades da situação atual em que se encontram.

Quais os resultados que vocês conseguiram até aqui e o que acontecerá daqui para frente?
Como falei, o projeto é novo, estamos começando e temos consciência de que tudo faz parte de um processo gradual Até aqui conseguimos inseri-los no sistema de saúde, alguns já vem até a unidade buscar atendimento e agendamento de consultas (o que antes não acontecia). Através dos prontuários temos conhecimento de seu histórico, o que também facilitou a circulação de informações entre os profissionais envolvidos no projeto. Realizamos visitas nas famílias de alguns no intuito de fortalecer seus vínculos novamente e conseguimos através de encaminhamentos junto ao INSS e Secretaria de Habitação e Mobilidade Urbana recursos para que possam se estabelecer em uma casa e sair da rua.

Há uma preocupação com o crescimento dessa população na cidade. Segundo informações da Secretaria de Desenvolvimento Social há outros grupos de pessoas que vivem nas ruas em outros pontos da cidade e que não são de Santa Rosa, mas estão em acompanhamento pelo órgão público.

Destaca-se que o trabalho é complexo e desafiador pois são muitas as demandas e há muito a ser feito ainda. Importante destacar que o trabalho necessita ser ampliado com envolvimento da sociedade em geral neste processo, pois acreditamos ser um problema de todos: poder propiciar um avanço na qualidade de vida e a redução do sofrimento na melhoria de toda a comunidade.

 FONTE: Noroeste Notícias